Arquitetos Anos 80: Exposição comemorativa dos 60 anos da Escola de Arquitetura da UFMG
TEIXEIRA, Maria Cristina Villefort (org.). Arquitetos Anos 80: Exposição na Escola de Arquitetura da UFMG: Comemoração dos 60 anos da EAUFMG (convite). Belo Horizonte: Escola de Arquitetura da UFMG, 1990. Disponível em https://www.patrimonios.org/ensino-pesquisa-extensao/memoria-eaufmg. Acesso em: dd mmm. aaaa.
Escola de Arquitetura da UFMG:
Publicação comemorativa de seus 40 anos
EAUFMG - Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais. Escola de Arquitetura U.F.M.G.: 1930-1970. Belo Horizonte: Serviço Gráfico da Escola de Arquitetura - Universidade Federal de Minas Gerais, 1970. Disponível em: https://www.arq.ufmg.br/ea/historia/#. Acesso em: dd mmm. aaaa.
Transcrição:
Manifesto à Nação
"Considerando o momento histórico em que vivemos [o golpe civil militar de 31 de março de 1964], o Diretório Acadêmico Democrata da Escola de Arquitetura da Universidade de Minas Gerais, recentemente empossado, sente-se no dever de denunciar à Nação, a participação efetiva da Diretoria dessa Escola, através de seu Diretor Sylvio de Vasconcellos e Vice-Diretor, João Boltshauser, no processo de comunização da Escola, transformando-a numa célula de subversão, pactuando com elementos de agitação e até mesmo incentivando a ação nefasta desses elementos.
Atestando este processo e procurando alertar as autoridades civis e militares responsáveis pela ordem cívica do País, alinharemos os fatos que o evidenciam:
É fato notório que o senhor Diretor Sylvio de Vasconcellos e o Vice-Diretor João Boltsshauser são tendenciosamente favoráveis à causa esquerdista.
A colocação dos serviços gráficos da Escola à disposição do processo de comunização, quando da impressão do Documento Base da Ação Popular, de teor subversivo. Esse documento mereceu comentários por parte da imprensa.
Impressão de programas para o C.P.C. (Centro Popular de Cultura), orgão de publicidade comunista.
Facilidades para a distribuição, dentro do recinto escolar, entre os alunos, de publicações comunistas, como, Brasil Urgente, Semanário, Novos Rumos, diversos manifestos e panfletos vermelhos.
Envio de alunos e instrutores a Cuba, subvencionados por verba destinada a fundo cultural e com abono de faltas, fato que fere o Regimento Interno e representa tratamento desigual aos demais alunos que não comungam o mesmo credo vermelho. Frisamos que, de volta, os alunos trouxeram material subversivo, inclusive gravações de discurso de Fidel Castro, que nos foi posto à mostra no Diretório Acadêmico da Escola.
Ataque ao Governador Carlos Lacerda em momento psicològicamente político, quando da contratação de urbanistas de fama internacional, sem o devido conhecimento de causa, tendo recebido do Governador da Guanabara, em ofício, resposta da qual extraímos o trecho abaixo:
'Deploro informar-lhe que Vossa Senhoria foi vítima de uma manobra política sórdida'.
Pressão na escôlha do senhor Darcy Ribeiro para paraninfar os formandos de 1963 com demonstração de evidente interêsse político e pessoal.
Convite a professôres marcadamente anti-democráticos para proferirem conferências de cunho subversivo com rótulo de 'palestras sôbre Arquitetura', como se pode observar pela aula inaugural, publicada pela imprensa local.
Há evidências de desmandos administrativos e financeiros a merecerem um acurado exame.
Considerando, ainda, o Movimento de Restauração da Democracia, ressaltamos o último fato ocorrido no recinto da Escola, de suma gravidade:
Na noite do dia 31 de março, alunos pregavam cartazes subversivos no hall do Estabelecimento sob o estímulo do Diretor Sylvio Vasconcellos, que sugeriu a colocação dos aludidos cartazes do lado de fora do prédio, afirmando haver a necessidade de incitar as massas, pois a Escola já estava politizada.
Denunciamos êsses fatos para conhecimento das autoridades civis e militares e fazemos um apêlo a todos os democratas que cerrem fileiras conosco a fim de extirparmos da nossa Escola essa célula maligna, sem o que a patriótica e desinteressada atitude de nossas gloriosas Fôrças Armadas não teria qualquer sentido.
Diretório Acadêmico da
Escola de Arquitetura da UMG.
Belo Horizonte, 4 de abril de 1964."
Em breve, novas publicações!